O impacto econômico na logística na equidade da economia do Brasil 

setembro 26, 2022

Simulações de investimentos também permitem a melhoria da infraestrutura de regiões mais desassistidas atualmente, como a Norte e a Centro-Oeste 

Três das nove diretrizes de desenvolvimento do Plano Nacional de Logística 2035 (PNL 2035) estão calcadas na economia e em questões sociais. 

– Induzir o desenvolvimento de regiões economicamente enfraquecidas ou estagnadas, a partir de um sistema viário eficiente; 

– Planejar as infraestruturas de transportes à luz das particularidades regionais e da sustentabilidade ambiental; 

– Considerar os aspectos socioambientais e econômicos no planejamento de transportes. 

Como demonstramos neste artigo, o relatório elabora diversos cenários para nortear o planejamento dos transportes e da logística do país para os próximos anos, dando referências para a priorização de ações. 

O incentivo a determinados projetos pode repercutir positivamente em aspectos sociais e econômicos do país, diminuindo a desigualdade de infraestrutura e favorecendo o desenvolvimento da Região Norte e Centro-Oeste, por exemplo. A região Nordeste pode ser beneficiada com a navegação de cabotagem, conhecida como BR do Mar

Com uma gama de cenários, o PNL 2035 deixa claro que “o objetivo não é resultar uma carteira de projetos única e sim, subsidiar o desenvolvimento de planos e outros estudos com uma visão integrada, única e coerente do funcionamento do sistema de transportes”. 

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Impacto econômico na logística 

Não é segredo que o setor de transportes tem um impacto econômico na logística do Brasil – essencial em um país de dimensões continentais, o que gera diversas dificuldades no aspecto logístico. Para as empresas, uma estrutura melhor de transportes resulta em mais eficiência e redução de custos. 

Há diferentes representações de resultados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) no PNL 2035. As possibilidades são de um aumento de 6,65% no PIB nacional futuro somente com as obras e intervenções já em andamento. 

De acordo com o IBGE, o PIB não representa o total da riqueza existente em um país. “É um indicador de fluxo de novos bens e serviços finais produzidos durante um período. Se um país não produzir nada em um ano, o seu PIB será nulo”, revela. 

Nos demais cenários, os retornos para o PIB poderiam variar de 7% a 10%, dependendo do nível de investimento direcionado ao setor. “Considerando que o impacto no PIB tende a ser acumulativo ano a ano, os resultados observados corroboram com a estratégia de Estado de promover o desenvolvimento econômico por meio do investimento em infraestrutura”, afirma o documento. 

Equidade de oportunidades 

Nesse contexto, um dos desafios do planejamento é diversificar os resultados para todas as regiões. Existem localidades do país com uma maior infraestrutura de transporte, enquanto outras necessitam de uma maior capacidade, seja para reduzir os custos logísticos para a população ou até mesmo para incentivar o desenvolvimento econômico dessas localidades. 

Conforme o documento, as oportunidades apresentadas, além de desenvolvimento econômico, geram equidade territorial. “A estratégia de investimentos voltados para regiões menos desenvolvidas em termos de infraestrutura alimentam também uma política pública de equidade que se estabelece em patamar superior ao planejamento de transportes, corroborando com o desenvolvimento territorial e social da nação”, analisa o PNL 2035. 

O poder econômico do Brasil está focado na Região Sudeste, que concentra cerca de 45% do PIB do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todos os estados da Região Norte, por exemplo, têm uma produção econômica inferior à de Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. 

“Quando avaliado esse índice na ótica regional, percebe-se que regiões com menor densidade de infraestruturas de transporte tendem a apresentar maior potencial de desenvolvimento econômico quando realizados investimentos”, afirma o documento. 

A Região Centro-Oeste também seria beneficiada: “Outro destaque é para a Região Centro-Oeste, alvo de significativos investimentos previstos como a Ferrovia Norte-Sul, a FICO e a Ferrogrão, podendo gerar impactos de até 19,06% adicionais na projeção de PIB para 2045, devido aos investimentos realizados até 2035”, projeta o documento. 

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