A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) instituiu o Selo ESG Cargas, iniciativa voluntária criada para reconhecer transportadores rodoviários remunerados de cargas que adotem boas práticas ambientais, sociais e de governança.
A medida foi aprovada em 14 de agosto de 2026 e instituída pela Resolução ANTT nº 6.086/2026. O reconhecimento será destinado a transportadores inscritos e ativos no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).
Na prática, o novo selo aproxima ainda mais duas agendas que já vêm transformando o setor: gestão eficiente da operação e sustentabilidade.
Para transportadoras e gestores logísticos, a iniciativa também deixa uma mensagem importante: à medida que práticas ESG passam a ser avaliadas e reconhecidas, aumenta a importância de acompanhar processos, indicadores, conformidade e impactos ambientais de maneira estruturada.
O que é o Selo ESG Cargas da ANTT?
O Selo ESG Cargas é um instrumento de reconhecimento institucional criado pela ANTT para transportadores rodoviários remunerados de cargas que demonstrem compromisso com práticas sustentáveis e responsáveis nos três pilares ESG:
- Ambiental (Environmental);
- Social (Social);
- Governança (Governance).
Segundo a própria ANTT, ao anunciar a criação do Selo ESG Cargas, a adesão será voluntária e terá como objetivo estimular práticas relacionadas à preservação ambiental, responsabilidade social e melhoria da gestão da atividade de transporte.
O selo está vinculado ao RNTRC e possui caráter exclusivamente indutivo. Isso significa que sua obtenção não é obrigatória e, por si só, não poderá impedir a participação de um transportador em políticas públicas, licitações ou programas governamentais.
Quem poderá participar do Selo ESG Cargas?
O público-alvo são transportadores inscritos e em situação ativa no RNTRC.
A regulamentação prevê editais específicos para as diferentes categorias do transporte rodoviário remunerado de cargas:
- Transportadores Autônomos de Cargas (TAC) e equiparados;
- Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (ETC);
- Cooperativas de Transporte Rodoviário de Cargas (CTC).
Os critérios também deverão considerar diferenças de categoria, porte e mercado de atuação.
As regras detalhadas de participação, seleção, avaliação e validade do Selo ESG Cargas serão apresentadas pela ANTT em editais de convocação.
Por isso, neste momento, ainda não é possível afirmar que uma determinada tecnologia, certificação ou prática específica, além daquelas expressamente previstas pela regulamentação, garantirá a obtenção do selo.
Quais critérios ESG serão avaliados?
A Resolução ANTT nº 6.086/2026 organiza a avaliação em três fatores.
Ambiental
O fator ambiental considera práticas relacionadas ao uso racional de recursos naturais e à redução dos impactos provocados pela atividade, incluindo a redução de emissões de poluentes.
Entre os princípios estabelecidos pela regulamentação também aparecem redução das emissões de gases de efeito estufa, mitigação de impactos socioambientais e promoção da resiliência climática no transporte rodoviário.
Para esse fator, a ANTT determinou que o Selo MelhorAr, concedido pela Infra S.A., poderá ser utilizado como comprovação integral dos critérios previstos em edital. A Agência poderá estabelecer outras formas de comprovação.
Social
O fator social considera os impactos da atividade de transporte sobre as pessoas e comunidades.
Entram nessa dimensão temas como:
- saúde e segurança do trabalho;
- diversidade e inclusão;
- segurança viária;
- impactos nas comunidades;
- respeito à dignidade humana.
Governança
Já o fator de governança está relacionado à conformidade do transportador com as regras que disciplinam sua atividade, incluindo sua regularidade para o exercício do transporte rodoviário remunerado de cargas.
É uma dimensão que aproxima o ESG de algo bastante conhecido pelo setor: a necessidade de manter processos estruturados, informações confiáveis e uma operação em conformidade com as exigências regulatórias.
O que o Selo ESG Cargas muda para transportadoras?
A criação do selo não estabelece uma nova obrigação para os transportadores.
Sua importância está principalmente no movimento que representa.
Sustentabilidade deixa de aparecer apenas como um compromisso institucional e passa a se aproximar cada vez mais da própria gestão da atividade de transporte.
A regulamentação fala, inclusive, em impacto positivo e aferível na diminuição dos efeitos das emissões de carbono, transparência e eficiência na condução da atividade.
Isso coloca a capacidade de medir e acompanhar a operação no centro da discussão.
Para uma transportadora, questões ambientais e eficiência operacional muitas vezes estão conectadas.
Uma rota mal planejada pode significar mais quilômetros rodados, maior consumo de combustível, aumento de custos e mais emissões.
Baixa ocupação dos veículos também pode representar desperdício operacional e ambiental.
Falta de visibilidade dificulta tanto a tomada de decisão quanto a identificação de oportunidades para melhorar a eficiência da operação.
É justamente essa relação entre sustentabilidade e desempenho que está por trás do conceito de logística verde e do uso da tecnologia na agenda ESG.
Por que os dados ganham espaço na agenda ESG do transporte?
Uma estratégia ESG consistente depende da capacidade de transformar ações em informações que possam ser acompanhadas ao longo do tempo.
Na logística, isso significa observar aspectos como:
- rotas e quilômetros percorridos;
- utilização e ocupação dos veículos;
- custos de transporte;
- desempenho de transportadoras;
- ocorrências e entregas;
- conformidade dos processos;
- consumo e emissões;
- evolução dos indicadores.
A própria resolução do Selo ESG Cargas prevê que informações disponíveis em bancos de dados internos e externos poderão ser utilizadas na avaliação.
Isso reforça algo que já acontece dentro das operações: dados que antes serviam apenas ao controle logístico começam a ganhar também uma dimensão estratégica de sustentabilidade.
É possível, por exemplo, tratar a pegada de carbono como um indicador relacionado às decisões logísticas, associando eficiência operacional e impacto ambiental.
Como a tecnologia pode apoiar uma logística mais sustentável?
Sustentabilidade não precisa ser tratada como uma camada separada da operação.
Quando sistemas e processos permitem integrar informações sobre fretes, transportadoras, rotas, entregas, custos e desempenho, gestores conseguem identificar ineficiências que possuem impacto econômico e ambiental ao mesmo tempo.
Uma roteirização mais eficiente pode reduzir deslocamentos desnecessários.
Mais visibilidade permite identificar desvios e gargalos.
Indicadores consolidados ajudam a compreender onde estão os principais desperdícios.
Automação e rastreabilidade também contribuem para operações mais estruturadas e previsíveis.
Esse é o princípio do Hub Logístico da NDD, que conecta operação, fiscal e financeiro e reúne recursos como gestão de fretes e transportadoras, planejamento e roteirização de cargas, visibilidade de entregas, indicadores operacionais e financeiros e cálculo e compensação de carbono.
A proposta é transformar dados espalhados pela jornada logística em informações que apoiem decisões mais eficientes.
E onde entra a gestão de carbono?
Reduzir emissões deve começar pela compreensão da própria operação.
Antes de falar em compensação, é importante identificar onde o impacto é gerado e quais mudanças operacionais podem reduzi-lo.
Uma forma simples de visualizar essa jornada é:
medir → compreender → reduzir → compensar.
Na primeira etapa, dados ajudam a compreender a pegada da operação.
Na segunda, decisões relacionadas a rotas, utilização dos veículos e processos podem contribuir para eliminar desperdícios e reduzir impactos evitáveis.
Mesmo depois dessas melhorias, entretanto, determinadas emissões permanecem inerentes à atividade.
É nesse momento que estratégias de compensação podem complementar os esforços de redução.
A NDD também mantém o Green Carbon, seu programa de compensação de carbono por meio do plantio de árvores. A iniciativa já ultrapassou 1,6 milhão de árvores plantadas, segundo dados institucionais da empresa. Conheça as iniciativas ESG e o Green Carbon da NDD.
Essa combinação ajuda a ampliar o olhar sobre sustentabilidade: não como uma ação isolada, mas como uma jornada que começa pela compreensão do impacto produzido pela operação.
Como se preparar para os próximos passos do Selo ESG Cargas?
Os critérios específicos para participação e avaliação ainda serão detalhados nos editais de convocação da ANTT.
Portanto, o momento não é de presumir requisitos que ainda não foram publicados.
Mas existem movimentos que já fazem sentido independentemente da obtenção do selo:
1. Conhecer os dados disponíveis na operação
Mapear quais informações sobre transporte, rotas, custos, desempenho e impacto ambiental já são geradas atualmente.
2. Centralizar informações
Dados espalhados em diferentes sistemas dificultam análise, rastreabilidade e tomada de decisão.
3. Criar indicadores
Transformar registros operacionais em indicadores capazes de demonstrar evolução ao longo do tempo.
4. Identificar oportunidades de eficiência
Avaliar rotas, ocupação, custos, ocorrências e processos para localizar desperdícios.
5. Mensurar impactos ambientais
Entender quais elementos da operação contribuem para a pegada de carbono e acompanhar sua evolução.
6. Acompanhar os editais da ANTT
As próximas publicações serão fundamentais para conhecer os critérios específicos, documentação necessária e formas de avaliação do Selo ESG Cargas.
ESG no transporte começa na operação
O Selo ESG Cargas é mais um sinal de uma transformação que já pode ser percebida no transporte rodoviário.
Eficiência, conformidade e sustentabilidade estão deixando de ocupar conversas separadas.
Quanto maior for a necessidade de acompanhar resultados ambientais, sociais e de governança, maior também será o papel dos dados confiáveis, da rastreabilidade e da visibilidade operacional.
Para transportadores e empresas que gerenciam grandes operações de transporte, portanto, a preparação para uma logística mais sustentável não começa necessariamente com a certificação.
Começa entendendo melhor aquilo que acontece todos os dias na operação.
Sustentabilidade começa quando impacto vira dado.
Quer aumentar a visibilidade sobre sua operação e transformar dados logísticos em decisões mais eficientes?
Conheça o Hub Logístico da NDD e descubra como integrar operação, fiscal e financeiro em uma jornada logística mais conectada.